Dia 3, 22 de fevereiro. Da humana imperfeição
Marguerite Yourcenar, n'A Obra ao Negro, coloca em epígrafe um trecho do Discurso da Dignidade do Homem, do humanista Giovanni Pico della Mirandola.
«Ó Adão, não te demos nem um lugar determinado, nem um aspeto que te seja próprio, nem tarefa alguma específica, a fim de que obtenhas e possuas aquele lugar, aquele aspeto, aquela tarefa que tu seguramente desejares, tudo segundo o teu parecer e a tua decisão. A natureza bem definida dos outros seres é refreada por leis por nós prescritas. Tu, pelo contrário, não constrangido por nenhuma limitação, determiná-la-ás para ti, segundo o teu arbítrio, a cujo poder te entreguei. Coloquei-te no meio do mundo para que daí possas olhar melhor tudo o que há no mundo. Não te fizemos celeste nem terreno, nem mortal nem imortal, a fim de que tu, árbitro e soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e te informasses, na forma que tivesses seguramente escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as bestas, poderás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por decisão do teu ânimo. Ó suma liberalidade de Deus pai, ó suma e admirável felicidade do homem! ao qual é concedido obter o que deseja, ser aquilo que quer».
Segundo Giovanni Pico cabe-nos escolher entre a vileza animal e a elevação divina. Não contempla, pois um fenómeno bastante comum que é a convivência, em conflito ou em harmonia, do melhor e do pior no mesmo ser humano.
Um pequeno esclarecimento: não encaro este percurso dos dez mil dias como um caminho de aperfeiçoamento em que, no final, se é uma pessoa excelente. Também não o encaro como uma acumulação - seja de bens, seja de saber, de conhecimento ou de experiências.
O essencial, diria, é a realização de coisas boas. Mas sem negar que a humana natureza está cheia de impurezas, de desejos, de armadilhas, de pulsões, que por vezes assumem contornos animalescos.
«Ó Adão, não te demos nem um lugar determinado, nem um aspeto que te seja próprio, nem tarefa alguma específica, a fim de que obtenhas e possuas aquele lugar, aquele aspeto, aquela tarefa que tu seguramente desejares, tudo segundo o teu parecer e a tua decisão. A natureza bem definida dos outros seres é refreada por leis por nós prescritas. Tu, pelo contrário, não constrangido por nenhuma limitação, determiná-la-ás para ti, segundo o teu arbítrio, a cujo poder te entreguei. Coloquei-te no meio do mundo para que daí possas olhar melhor tudo o que há no mundo. Não te fizemos celeste nem terreno, nem mortal nem imortal, a fim de que tu, árbitro e soberano artífice de ti mesmo, te plasmasses e te informasses, na forma que tivesses seguramente escolhido. Poderás degenerar até aos seres que são as bestas, poderás regenerar-te até às realidades superiores que são divinas, por decisão do teu ânimo. Ó suma liberalidade de Deus pai, ó suma e admirável felicidade do homem! ao qual é concedido obter o que deseja, ser aquilo que quer».
Segundo Giovanni Pico cabe-nos escolher entre a vileza animal e a elevação divina. Não contempla, pois um fenómeno bastante comum que é a convivência, em conflito ou em harmonia, do melhor e do pior no mesmo ser humano.
Um pequeno esclarecimento: não encaro este percurso dos dez mil dias como um caminho de aperfeiçoamento em que, no final, se é uma pessoa excelente. Também não o encaro como uma acumulação - seja de bens, seja de saber, de conhecimento ou de experiências.
O essencial, diria, é a realização de coisas boas. Mas sem negar que a humana natureza está cheia de impurezas, de desejos, de armadilhas, de pulsões, que por vezes assumem contornos animalescos.
Aqui está algo que eu julgava ser impossível: um homem que pesa 585 quilos. Chama-se Juan Pedro Franco, é mexicano e recordista do Guinness

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