Dia 18, 9 de março. A leitura e as abelhas

Fiquei surpreendido quando, em Biblioteca Pessoal, Jorge Luis Borges referiu (sem ironia) A Vida das Abelhas, de Maurice Maeterlinck, como um dos seus livros prediletos. Depois li Maeterlinck e percebi o encanto singelo dessa obra e o fascínio por esses pequenos insetos.

Neste dia 18, 9 de março, recebi Embalando a Minha Biblioteca, de Alberto Manguel, leitor e 'discípulo' de Borges, e detive-me neste parágrafo (p. 13):

O jardim murado era um lugar extraordinariamente silencioso. Todas as manhãs, pelas seis, eu descia ainda meio a dormir, fazia um bule de chá na cozinha escura com vigas e sentava-me com a nossa cadela no banco de pedra lá fora, para ver a luz da manhã trepar o muro ao fundo. Depois, ia com ela para a minha torre, anexa ao celeiro, e lia. Só o canto dos pássaros (e, no Verão, o zumbido das abelhas) rompia o silêncio. Ao crepúsculo, viam-se morcegos pequenos a voar em círculos, e, à alvorada, as corujas no campanário da igreja (nunca percebemos porque é que elas faziam o ninho debaixo dos sinos) desciam para caçar uma refeição.

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