Dia 28, 19 de março. A razão por que me interesso pela Revolução Russa

Qual a origem do meu fascínio pela Revolução Russa?

Percebi-o hoje, enquanto lia A People's Tragedy - The Russian Revolution, 1891-1924, de Orlando Figes: esse fascínio remonta ao filme Doutor Jivago, baseado no romance de Boris Pasternak, quando se vê pobres a ocupar os palácios, mas vivendo nas mesmas condições miseráveis em que viviam antes.

Aqui fica o trecho (de Figes) que fala do tema sobre o qual eu queria ler mais:

«Uma das mais traumáticas humilhações sofridas pelas classes privilegiadas nestes primeiros meses do regime soviético foi a partilha forçada de todo ou de parte do seu espaço de habitação. Os bolcheviques orgulhavam-se - e a sua propaganda sublinhava isso - de forçar os ricos a partilharem as suas casas espaçosas com os pobres das ruas. Para muitas pessoas, isto não parecia mais do que justo: o facto de algumas pessoas viverem em palácios, enquanto outros definhavam em caves húmidas e sujas tornara-se um símbolo da ordem social injusta do velho regime. Era frequente as famílias ricas empenharem-se à procura de um casal modesto e limpo que se mudasse para suas casas e convencê-los a contentarem-se com uma ou duas das divisões mais pequenas. Mas os comités de vigilância de edifícios, que estavam encarregues deste processo, tornavam isso muito difícil. Estes comités eram habitualmente formados pelos antigos porteiros e criados domésticos, entre os quais o desejo de vingança podia ser muito forte. Juntar-se ao comité dos edifícios, e ainda mais ao partido, dava-lhes a possibilidade de inverter a situação. Ocupavam os melhores quartos da casa e decoravam-nos com as melhores mobílias, enquanto os seus antigos empregadores eram relegados para os antigos aposentos da criadagem. Havia aqui todo um mundo de revoluções escondidas na vida doméstica em que os empregados e os senhores literalmente trocaram de posição. Era um microcosmo da transformação social do país em larga escala.» (pp. 528-529)

Só é pena que Figes não desenvolva mais e não refira exemplos concretos.


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