Dia 29, 20 de março. Clarice (e) a esfinge

Entrevista interessantíssima na Ronda da Noite, de Luís Caetano, ao norte-americano Benjamin Moser, tradutor e biógrafo de Clarice Lispector (1920-1977).

Aprendi várias coisas sobre esta personalidade intrigante, que já fascinava os seus contemporâneos. Nascida na Ucrânia, a família foi para o Brasil sem quaisquer recursos. Clarice fazia companhia à mãe, que estava doente, contando-lhe histórias para a entreter.

A mãe morreu quando Clarice tinha apenas oito anos. Quando tinha 14 anos, mudaram-se para o Rio de Janeiro, onde estudaria na Universidade de Direito. Aí, ao que parece, semeou várias paixões. Acabaria por casar com um diplomata, de uma família tradicional.

Em 1943 publica o seu primeiro livro, Perto do Coração Selvagem, que foi aclamado pela crítica. Mas Clarice não gozou desse sucesso, pois entretanto tinha saído do Rio de Janeiro com o marido.

Destacaria este comentário da própria acerca de uma viagem ao Egipto:

'Vi a Esfinge. Não a decifrei. Mas ela também não me decifrou a mim'.

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