Dia 32, 23 de março. O cheiro do século XVIII

O novo Museu dos Coches, em Belém, é um edifício na linha minimalista, algo incaracterístico - paredes brancas, linhas direitas, aquilo a que eu chamaria uma arquitetura de uma higiene quase hospitalar.

Tem alguns aspetos estranhos: a bilheteira no exterior, o pátio lá fora pouco convidativo, a necessidade de entrar no elevador para aceder ao espaço expositivo.

No entanto, uma vez lá dentro, tenho de reconhecer: os coches estão magnificamente expostos.

Ainda assim, o que mais me encantou na visita foi talvez o momento em que chego perto de um coche do século XVIII, espreito para o interior, e me apercebo de que todo o ar à volta está impregnado de um cheiro sugestivo: um cheiro a tecidos antigos, a pó de arroz, a perucas e a madeiras tocadas por pessoas há muito falecidas. O cheiro do século XVIII.

Quem diria que iria encontrá-lo num museu tão clean, de linhas tão contemporâneas?


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