Dia 43, 3 de abril. O camelo

Embora em bom vernáculo a palavra 'camelo' seja um insulto, este é um dos animais extraordinários que existem à face do planeta. O camelo pode beber mais de 100 litros de água em 13 minutos - em compensação, diz-se, no inverno pode sobreviver seis ou sete meses só da humidade contida nas ervas que come.

As suas bossas não estão cheias de água, ainda assim constituem um reservatório vital de gordura a partir da qual extraem a energia necessária. Quanto mais tempo passam sem se alimentar ou hidratar, mais as bossas vão definhando. Apesar de feitas de gordura, são duras como osso (diz quem por mais de uma vez já andou em cima de um dromedário. Não é muito confortável...)

Nem só estas protuberâncias são especiais: os camelos protegem o cérebro dos picos de calor, conseguindo arrefecê-los seletivamente deixando o resto do corpo à temperatura normal.

São capazes de andar 40 a 50 quilómetros por dia, resistindo às condições mais duras e com uma fiabilidade que não está ao alcance de mais nenhum animal.

Mais duas curiosidades: camelos mesmo só na Arábia - de resto, no Norte de África (Marrocos, Egipto, etc.), só dromedários. E não havia camelos no Egipto dos faraós, é um erro histórico cometido por alguns filmes.

Explicou-me um amigo padre que uma célebre frase da Bíblia - 'mais depressa passa um camelo pelo buraco da agulha do que um rico entra no reino dos céus' - não se referia ao simpático animal, mas à lã que dele se extraía. Veja-se este exemplar extraordinário (foto da wikipedia)


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