Dia 47, 7 de abril. Contos de Buzzati
Apresento aqui um excerto de um livro que me chegou: Sessenta Contos, de Dino Buzzati, autor do qual já li O Deserto dos Tártaros, um livro com algo de inquietante, adjetivo que também se aplica a algumas passagens do presente. Como esta:
- Perdoa-me, perdoa-me... Sabes como eu sou apreensiva... Vai dormir, vai, não quero fazer-te apanhar mais frio... Adeus.
A ligação foi interrompida.
Fiquei ali, com o auscultador na mão, no silêncio, e os móveis, embora a luz elétrica os iluminasse do modo o mais normal possível, tinham um aspeto estranho, como quem vai dizer qualquer coisa mas se contém, deixando essa coisa fechada dentro de si, sem que nós possamos saber o que é. Provavelmente isto era apenas uma consequência da noite; a verdade é que nós conhecemos apenas uma parte mínima dela e o restante é imenso, inexplorado, e, nas raríssimas vezes que aí penetramos, tudo nos mete medo.
'De Hidrogénio' (Dino Buzzati, Sessenta Contos, p. 156 - ed. Cavalo de Ferro)
- Perdoa-me, perdoa-me... Sabes como eu sou apreensiva... Vai dormir, vai, não quero fazer-te apanhar mais frio... Adeus.
A ligação foi interrompida.
Fiquei ali, com o auscultador na mão, no silêncio, e os móveis, embora a luz elétrica os iluminasse do modo o mais normal possível, tinham um aspeto estranho, como quem vai dizer qualquer coisa mas se contém, deixando essa coisa fechada dentro de si, sem que nós possamos saber o que é. Provavelmente isto era apenas uma consequência da noite; a verdade é que nós conhecemos apenas uma parte mínima dela e o restante é imenso, inexplorado, e, nas raríssimas vezes que aí penetramos, tudo nos mete medo.
'De Hidrogénio' (Dino Buzzati, Sessenta Contos, p. 156 - ed. Cavalo de Ferro)

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